Merdas & Melancolias

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Morreu aos vinte e nove anos, atrás das cortinas de um palco. Foi lá, foi aquele cenário que acabou com sua vida. Iludidamente parecia ser onde tudo ter começado, mas foi só onde surgiram personagens, e morreu a realidade. Por causa das desilusões de sua vida e incapaz de separar textos decorados de sua realidade, tornou-se uma alcoólatra de botequim. Sozinha… Tinha que amar às vezes, odiar outras vezes, tinha que ser a mocinha e tinha que ser a vilã, isso simplesmente a tornou em pólos invertidos, ela se tornou apenas um resultado neutro. Sua primeira interpretação, a tirou o homem da sua vida. Segundo ela que ao interpretar Julieta de William Shakespeare, ela deveria amar Romeu, foi o que fez, deixou de amar o homem que realmente amava para poder amar em algumas horas de interpretação outro homem. Não houve perdão, sobre sua atitude, e isso já havia tornado apenas um vazio. O buraco foi aumentando.
Devido ao seu grande sucesso, foi convidada para interpretar si mesma, contar a história que havia a levado ao sucesso. As últimas folhas da vida dela não tinham sido escritas. Ela afirmou que queria fazer um improviso, no final, sozinha no palco…
Interpretou com muita astucia sua própria morte, um suicídio insano, após beber e usar drogas. Após chorar e gritar a todos que a ouvia a tortura dilacerada que tinha se tornado. Fincou uma faca em suas entranhas, e vomitou sangue por todo o palco. Quando as cortinas se fecharam, vieram astutos amigos, e diretores parabenizá-la pelo final esplendoroso. E uma simples surpresa. Não foi uma interpretação. Tinha cheiro de sangue verdadeiro no ar. E ela simplesmente não agradeceu… Simplesmente dormia, com uma serenidade inóspita para a situação. Tablóides conspiraram o fato de seu ultimo suspiro, ter sido o único momento verdadeiro de sua vida, onde ela provavelmente estava sendo, quem ela realmente era.
Francielly Flausino “A atriz de palco” (via desejo-lhe)

(Source: inanimo, via desejo-lhe)

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Achei que fosse só uma garoa.
Quando eu comecei a chorar, achei que fosse só uma garoa. (O começo do texto é esse)
Eu me perdi porque não havia estrelas no céu e, nem como me localizar. Eu parei de sambar entre as estrelas, quando eu percebi que elas não estavam mais prestando atenção no meu samba em descompasso. Mas tudo que eu perdi, eu faria questão de segurar entre os dedos e espremer, até ver tudo derramado no chão. Eu perderia de novo, em questão de segundos, só para notar a perda.
Eu tive medo da luz e gritei “apaguem a luz, apaguem a luz”, mas ninguém apagou. Todos continuaram a vida, como deve-se fazer. Esperando a próxima esquina, a próxima parada, o próximo final de semana e aniversário. Ninguém notou meu medo, e quem repara nos olhos de uma criança que se cobre com as mãos o tempo todo?
Só uma pessoa me falou “você não é criança mais, consegue alcançar o interruptor”.
E se eu apagar a luz, e o dia nascer escuro?
Me entendendo, eu percebo porque não havia estrelas no céu. (via desejo-lhe)

(Source: azulejar-o-ceu, via desejo-lhe)

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Hoje quero escrever qualquer coisa tão iluminada e otimista que, logo depois de ler, você sinta como uma descarga de adrenalina por todo o corpo, uma urgência inadiável de ser feliz. Ser feliz agora, já, imediatamente. E saia correndo para dar aquele telefonema, marcar um encontro, armar um jantar, quem sabe um beijo; para comprar aquela passagem de avião, embarcar hoje mesmo para Nova York, Paris, Hononulu. Tão revigorado e seguro – depois de me ler – que nada, absolutamente nada, dará errado: ela (ou ele) atenderá com prazer (em todos os sentidos) ao seu chamado, haverá saldo no banco para a passagem e muitos dólares. Tudo se organizará rápida e meio magicamente, como se todos os astros e todos os deuses só esperassem por um momento seu para derramar sobre sua cabeça, digamos, uma cornucópia de bem-venturanças.
Caio Fernando Abreu  (via desejo-lhe)

(Source: discretamente, via desejo-lhe)

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Vou engarrafar essa dor, vou engarrafar a saudade. Vou me embriagar de tristeza, bendizendo ela vira beleza, gentileza gera gentileza….
O Teatro Mágico (via insubmissa)

(via insubmissa)